Hora de deixar a sala de aula?
- Marcelo Martins de Melo
- 26 de dez. de 2015
- 3 min de leitura
Vejo muitos professores insatisfeitos nas redes sociais, com relatos que beiram a depressão e o martírio. Nossa profissão realmente exige muito de nós, mas será que é necessário tanto sacrifício para ganhar o pão de cada dia?
Ao mesmo tempo, também vejo professores aspirando o “segundo cargo”, sonhando em poder “dobrar período”, “acumular Estado e Prefeitura”. Me pergunto se isso tem a ver com salário ou com outros fatores.
A realidade é que estamos sempre buscando o crescimento, seja ele intelectual, espiritual, e principalmente o financeiro.
Como não me cabe julgar, me limito a propor uma reflexão para muitos colegas que estão insatisfeitos profissionalmente. Refletir sobre as escolhas e enxergar outros caminhos, aliás, é uma das possibilidades que a virada de ano nos proporciona.
O que realmente gosto de fazer?
Muitas pessoas acham que nasceram para dar aula, que é isso que dá sentido as suas vidas, e que estão diante de uma missão. Não pense assim.
Primeiro pergunte-se sobre o que você gosta de fazer. Muitos dirão que gostam de trabalhar com pessoas. Outros que gostam de ajudar. Outros que gostam de ouvir ao próximo. Entre os professores a maioria se encaixará nesses perfis.
Assim, a grande maioria se daria bem em outras profissões e seria muito feliz trabalhando com o público em diversos ramos como saúde, administração, eventos....
Resumindo, descubra o que gosta de fazer e não no que gosta de trabalhar.
Quero ser professor até me aposentar?
Quando vemos alguns colegas que estão se aposentando como professores, é muito comum uma certa aflição sobre o estado (principalmente psicológico) em que se encontram, resultado do intenso desgaste diário.
Precisamos pensar que em muitos casos, o ideal seria uma mudança de profissão ao longo da vida, uma guinada para resignificar a relação trabalho x vida.
Como manter a minha segurança e a minha estabilidade mudando de emprego?
Da mesma forma que fizemos concursos para entrar na área da educação, podemos fazer concursos para outras áreas.
Para os concursados não existe problema de idade, estilo de vida e outras limitações dos empregos na área privada.
Já prestei concurso para muitas profissões diferentes e sempre valorizei a estabilidade. Isso me levou, por exemplo, a prestar concurso para bancário. Por incrível que pareça, essa profissão tem muito do que fazemos na escola, principalmente o trabalho com o público.
E como começar do zero?
Comece mapeando as oportunidades. Acesse sites de concursos, veja editais e descubra cargos em que você nem imaginava que pudesse trabalhar.
A maioria dos professores tem nível universitário e existem muitos concursos que exigem formação graduação em qualquer área. Também existem concursos para formação em Ensino Médio, mas que pagam melhor que os salários de professor.
Como encontrar coragem?
Pense que nós, professores, somos estudantes profissionais. Gostamos tanto de estudar que resolvemos ficar na escola e trabalhar nela. Isso representa uma grande vantagem em concursos de todas as áreas, e principalmente para aprender coisas novas.
Professores também têm um grande trunfo: “normalmente escrevem bem”. Essa é uma vantagem enorme, considerando que as redações cada vez mais fazem parte dos concursos de todas as áreas.
Não é do dia para a noite
Não foi fácil conseguir passar em um concurso para professor, e provavelmente não será fácil passar em um concurso para outras áreas.
Isso não significa que seja impossível. Estude, tente várias vezes e você conseguirá.
Resumindo...
Pense no que gosta de fazer, tome coragem, busque informações e acima de tudo tente!
Se após tudo isso você chegar a conclusão de que quer ser mesmo professor, trabalhe feliz e aproveite a sua vida!
Um grande abraço!


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